Como o Brasil viu o primeiro pentacampeão Catarinense por Placar Ed. 657

Para o Joinville, ganhar em 1982 o pentacampeonato catarinense era mais do que sonho uma determinação. Tratava-se de um título inédito no Estado, já que o Avaí, de Florianópolis, havia sido tetra na década de 40. Por isso, para seus torcedores, essa façanha passou a ser uma verdadeira obsessão, embora o clube tenha surgido há pouquíssimo tempo, em 1976, fruto da fusão dos dois velhos rivais da cidade, Caxias e América.

Assim, na noite de 11 de dezembro, quando o plano materializou-se com o empate de 1×1 em Criciúma, a 350 kM de distância, depois de se travar uma verdadeira guerra, o grito de campeão saiu com maior força, pois dos cinco triunfos este foi, sem dúvida, o mais difícil e sofrido.

Para começar, o Joinville não investiu tanto como nas temporadas anteriores, contratando apenas o central Vágner, seu ex-jogador, o lateral Sídnei, do Colorado, de Curitiba, e o meia Ricardo, do Vasco da Gama. “E ainda tivemos que nos desfazer de muita gente” lamenta-se o presidente Waldomiro Schutzler, no cargo desde a fundação. No geral, a perda mais sentida foi do meia-armador Barbieri, negociado para o futebol árabe. “Era o homem que desequilibrava que abria espaços e marcava gols”, conta o jovem técnico Joel Castro Flores, de 35 anos.

Joel chegou a enfrentar muitos problemas no comando da campanha. No turno só pode dirigir a equipe nas duas partidas finais, contra o Criciúma, pois passou, ao lado de cinco de seus jogadores, 40 dias excursionando com uma incrível seleção catarinense formada às pressas para participar de um torneio na Malásia. Mas mesmo assim, o Joinville ganhou a disputa.

O Segundo turno foi um desastre. A idéia de ganhá-lo, para evitar uma finalíssima, acabou sendo soterrada por uma série de contusões e pelos 60 cartões tomados pelo time. Resultado: os 11 titulares só puderam jogar juntos somente por mais três vezes. Segundo o zagueiro Vágner, líder e capitão da equipe, a violência chegou a ser tanta que alguns de seus companheiros afirmaram, em determinado momento, que nunca mais jogariam no futebol catarinense. O caso mais grave ocorrera no primeiro turno, quando o ponta direita Paulo Santos teve a perna fraturada  numa partida contra o Joaçaba.

Seguiu-se um período bastante crítico para o Joinville, que passou seis rodadas sem vence. Impaciente, a torcida cobrava vitórias dos jogadores. “Eles nos paravam na rua para saber o que estava acontecendo”, conta o artilheiro Zé Carlos Paulista. Os mais saudosistas lembravam que times anteriores tinham maior experiência do que o atual – Muito jovem dizia-se.

De qualquer forma, a perda do returno seria benéfica. Fora da decisão, os jogadores tiveram 15 dias para se recuperarem. E entraram inteiros para enfrentar novamente o Criciúma – o mesmo rival das quatro decisões anteriores. Na primeira partida, a vitória de 1 x 0 foi apertada, embora dentro de Joinville. Em Criciúma, porém, o time jogou tudo o que sabia: perdendo por 1 x 0, sufocou o adversário até conseguir o gol de empate que valeu o Pentacampeonato.

Agora, só se fala na realização de uma grande campanha na Taça de Ouro e, sobretudo, num sonho maior que a cidade já alimenta: o hexacampeonato.

Poster da revista Placar: 657 edição dos campeões

Parabéns a todos do elenco Pentacampeão Estadual.