No dia 22 de maio de 1999, Joinville e Figueirense se enfrentaram no Ernestão, em partida válida pelo segundo turno do Campeonato Catarinense.

Este jogo não terminou.

O juiz, Luiz Orlando de Souza, cometeu tantos erros, que a torcida tricolor, enfurecida, invadiu o campo e acabou com o jogo.

Luiz Orlando de Souza somente conseguiu deixar o Ernestão 2 horas depois de iniciada a confusão. Ele saiu dentro de um camburão da Polícia Militar.

Luiz Orlando de Souza, protegido pela polícia, não gostou de ser fotografado no camburão e ameaçou o fotógrafo Carlos Alberto Silva do AN, com as seguintes palavras:

“Tira esta merda daqui antes que eu a quebre!” (referia-se à máquina fotográfica, instrumento de trabalho do profissional).

O que Luiz Orlando não sabia: Carlão, crioulo casca-grossa, era lutador de karatê!  (palavras de Maceió, AN de 24/05/99)

Luiz Orlando foi fotografado. E só saiu inteiro do Ernestão, porque estava sob proteção policial. Caso contrário, o fotógrafo Carlão teria lhe aplicado alguns golpes de karatê.

Vídeo disponível 16:50 – 28/07/2012

Vejam a seguir a cronologia dos fatos ocorridos naquela tarde de 23/05/1999 (AN, 24/05/99):

16 horas – Primeiro encontro entre Joinville e Figueirense, depois do tumultuado jogo que deu o título do primeiro turno para a equipe da capital. A faixa com a inscrição “Delfim + Figueirense + Gilson Pauletti + $$ 2 x 2 JEC” deu início às divergências entre o árbitro e a torcida joinvilense. A faixa estava pregada no alambrado. Numa atitude arbitrária, Luiz Orlando de Souza disse que não começaria o jogo se ela não fosse retirada. Também disse que “proibia” as emissoras de TV de mostrarem a faixa (?).

16h05min – Cinco minutos depois, o jogo teve início, já com uma animosidade explícita entre torcida e juiz.

35min do 1º tempo – O JEC teve Clóvis expulso, depois de uma falta normal. Como já tinha o amarelo, levou o vermelho.

40min do 1º tempo – O árbitro também expulsou João Carlos Cavalo. Numa falta de Marquinhos Rosa sobre Perivaldo, houve muita confusão e o juiz expulsou Marquinhos Rosa, do JEC, e Valdeir, do Figueirense. Depois de acalmados os ânimos, quem saiu de campo foi João Carlos Cavalo, e os outros dois permaneceram na partida.

1min do 2º tempo – Emerson Almeida cabeceou uma bola na trave, depois de um cruzamento de Vinícius, da direita. Isso deixou a torcida joinvilense ainda mais inflamada.

13min30 do 2º tempo – Fabinho, cobrando falta, abriu o placar para o Figueirense.

15min do 2º tempo – Um torcedor do Joinville invadiu o campo e mostrou cartão vermelho para o árbitro.

21min do 2º tempo – O goleiro Maurício simulou ter sido atingido por um pedaço de madeira, jogando-se ao chão. O juiz, numa atitude cinematográfica, foi para frente das câmeras de TV com a madeira na mão, como se mostrasse um cartão. Isso deixou a torcida ainda mais revoltada. Os torcedores começaram a forçar o alambrado e jogar pedras, pilhas e rádios para o gramado.

22min do 2º tempo – O juiz parou o jogo. A torcida, então, derrubou a cerca de proteção e invadiu o campo. O trio de arbitragem e os jogadores do Figueirense correram para o vestiário, com os torcedores do JEC nos calcanhares. Eram 17h30min.

17h35min – Os torcedores tentaram invadir o vestiário, mas foram contidos pelo policiamento. Ficaram em frente à entrada dos vestiários cantando e comemorando como se o JEC tivesse conquistado um título.

18:00h – Torcedores invadiram os vestiários e tentaram chegar ao árbitro. No meio de muita confusão, os jogadores e comissão técnica da equipe da capital ficaram sitiados no vestiário. A Polícia de Choque foi acionada e retirou os torcedores de dentro do estádio.

18h15min – A confusão continuou do lado de fora. Cerca de 200 torcedores esperavam a saída do árbitro pelo portão principal. Enquanto esperavam, depredaram uma Parati, placas LXZ-2016, de Florianópolis. Também agrediram o fotógrafo de A Notícia, Carlos Alberto da Silva, quando ele realizava a cobertura fotográfica da confusão.

18h30min – O grupo de torcedores foi dispersado pelo Pelotão de Polícia Montada da PM.

18h45min – Um torcedor, Valmir Jackson, 21, quando entrava em um carro para ir embora, recebeu uma pedrada na cabeça. Foi atendido pelos Socorristas dos Bombeiros Voluntários, levado para o Hospital São José e liberado depois de medicado.

19h30min – Duas horas depois de iniciada a confusão, o árbitro Luiz Orlando de Souza saía do estádio pelo outro lado, numa Blazer da Polícia Militar. (SA)