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Foto: Acervo Cláudio Lopez Jr.

Quando no ano de 1971, após vitória de goleada do América Futebol Clube sobre o Avaí, pelo placar de 4 a 1, em partida que deu o título antecipado ao galo da zona norte, o então presidente do clube Kurt Meinert, profetizou, “Ou Caxias e América se unem, ou o futebol da cidade de Joinville chegará ao caos”.

Realmente o americano sabia do que estava falando, e morreu dois anos depois sem ver seu sonho realizado. Pois bem, do outro lado da cidade, na zona sul, o time alvinegro Caxias Futebol Clube também tinha empreendedores do futebol, um deles, Pedro Belarmino da Silva, outro homem com peso fundamental no nascimento do Joinville Esporte Clube.

Nos anos seguintes, a frase profética de Kurt Meinert se concretizou. Caxias e América se afundavam em dívidas e fracassos dentro de campo. Houve então uma conspiração social para que o ano de 1976 fosse um recomeço.

Em meados de 1975,  o presidente do Caxias Pedro Belarmino da Silva ligou para a companhia Hansen, para marcar uma reunião com João Hansen Neto. O Assunto: um memorando que recebeu, com a explanação do cancelamento da ajuda financeira da empresa para com o clube alvinegro.

João Hansen Neto recebeu Pedro com elogios pela sua vitória no pleito eleitoral caxiense e perguntou ao amigo, o motivo da visita. Pedro rapidamente entregou o envelope, e deixou João ler o documento. Ao mesmo tempo em que lia, o empresário balançava a cabeça negativamente, e ao final falou: “Pedro eu não tinha conhecimento, isso é coisa do financeiro, fique tranquilo que o Caxias não ficará sem sua contribuição”.

Pedro, por sua vez, aproveitou o momento, explicou a situação crítica que o clube vivia – que não era segredo para João Hansen também – e perguntou se havia possibilidade de uma ajuda maior para sanar as dívidas que se acumulavam.

João respondeu, com brilho no olho: “Ora, Pedro. Se eu ajudar o Caxias me sinto no dever de contribuir com o América também. Por que vocês não se unem, assim a companhia poderia dar uma boa ajuda ao novo time”.

Pedro saiu do escritório com um propósito: falar com Cláudio Lopes, atual presidente do América. Dias depois, os dois se encontraram no Bar Palmeiras, em frente da alameda mais charmosa da cidade dos príncipes: a rua das Palmeiras. Foi exatamente nesse local, na região central da Manschester Catarinense, que de fato esses dois nomes, presidentes de Caxias e América, decidiram definitivamente unir forças em pró de uma bem maior pela cidade.

Comunicado da decisão dos presidentes, João Hansen Neto que tinha uma grande amizade com os cronistas esportivos da cidade, pediu que sua secretária convocasse os meios de comunicação para um reunião em sua sala, no prédio empresarial da companhia que funcionava na rua Bahia, esquina com Eugenio Moreira Douat.

Foi ali, que no dia 9, em uma terça feira de tempo nublado, no mês de setembro, o empresário recebeu os Jornalistas Hilário Muller, Marco Antonio Peixer, Joel Ferreira do Nascimento, o Maceió, e Nerval Pereira, contando com o apoio da imprensa para acabar com qualquer esperança do povo do contra.

A seguir, a descrição do próprio Maceió a respeito da reunião da época. “Neto dispensou-nos estrategicamente, ao redor de uma grande mesa, brindou-nos com seu indefectível cacoete de piscar os olhos diante das coisas mais sérias e dentro de uma linguagem simples e amena, foi logo comentando. Um grupo de caxienses já me fez reiterados convites para que eu assuma a presidência do clube. E vocês melhor que ninguém sabe que o futebol da cidade de Joinville está falido. Então achei prudente convocá-los para discutirmos a viabilidade de uma fusão entre Caxias e América! Há clima favorável pra isso? Todos podem colaborar comigo nessa empreitada?”.

Todos, indistintamente, deram aval entusiástico à proposição. Aconteceram mais uma série de reuniões para sensibilizar alguns diretores e conselheiros dos dois clubes que eram contra a fusão. A imprensa teve um peso fundamental para que o orgulho fosse deixado de lado.

Depois de elaborado o estatuto, os uniformes nas cores vermelha, branca e preta, nessa ordem, locação das dependências do América para que ali funcionasse a concentração, no dia 29 de janeiro de 1976, nascia o Joinville Esporte Clube.

Parabéns Tricolor pelos 41 anos de Glórias.

O texto acima é fruto de entrevistas com ex-presidentes, ex-diretores, técnicos e torcedores, além é claro, de pequisas em jornais da época e revistas oficiais do clube.